Data: 08/04/2019

Dentro de um sistema produtivo de criação animal, o manejo alimentar corresponde à maior parcela dos custos. Especificamente na produção de carne de porco, os ingredientes para a nutrição suína representam cerca de 60-70% do custo total da criação.

Nesse aspecto, a elaboração da alimentação dos animais é um fator fundamental na obtenção de maiores taxas de retorno sobre o investimento.

O planejamento nutricional envolve a disponibilidade, obtenção e fornecimento de insumos em quantidade e qualidade suficientes, que atendam às exigências nutricionais dos animais ao longo de suas diferentes fases de crescimento.

E a nutrição suína?

Na alimentação de suínos, os principais requisitos frequentemente descritos no balanceamento de dietas são baseados no suprimento de energia e proteína. Portanto, os ingredientes para a nutrição suína devem fornecer macronutrientes: carboidratos, lipídios e proteínas.

No entanto, o requerimento nutricional dos animais é influenciado por diversos fatores, sendo eles:

  • Idade: animais mais jovens necessitam de dietas com maiores teores de proteína quando comparados aos animais adultos;
  • Potencial Genético: raças de suínos de crescimento rápido – como animais da raça Large White – requerem dietas com maior teor de proteína do que raças que apresentam menor taxa de crescimento – como a raça Hampshire, por exemplo;
  • Clima: a variação climática no ambiente de criação faz com que o animal gaste mais energia para manter sua temperatura corporal em equilíbrio. Neste caso, para manter sua taxa de crescimento é necessário o fornecimento de níveis mais altos de energia na dieta;
  • Fase de criação: a necessidade de nutrientes também varia de acordo com o estado fisiológico em que o animal se encontra em diferentes fases de criação. Porcas gestantes, por exemplo, requerem necessidades energéticas e nutricionais diferentes quando comparadas a porcas secas, leitões recém desmamados ou animais em fase de terminação;
  • Ingredientes para a nutrição suína incluídos na ração: os suínos, por serem animais monogástricos, apresentam baixa digestão de fibra. Por isso, diferentemente da alimentação de bovinos, na qual é possível alimentá-los apenas com pastagens, os suínos necessitam de suplementação na alimentação através do uso de ingredientes com baixo teor de fibra e maiores teores de energia e proteína;
  • Disponibilidade de água: o uso de água pelos animais é de fundamental importância, pois interfere diretamente no consumo dos alimentos disponíveis e auxilia na termorregulação corpórea. O acesso à água deve ser fácil e disponível o tempo todo, além de fundamentalmente ser potável, fresca e se encontrar em temperaturas inferiores a 20ºC (Departament of Primary Industries of New South Wales Government). No planejamento do fornecimento de água, deve-se levar em conta o local onde a água será disponibilizada, a temperatura da água, riscos de contaminação e pressão nas linhas de abastecimento;
A avaliação dos fatores que influenciam no requerimento nutricional dos animais possibilita realizar um balanceamento nutricional adequado. É importante que a dieta seja fornecida em níveis que satisfaçam as necessidades do animal para sua mantença, crescimento e reprodução.

A inclusão de vitaminas e minerais na formulação de dietas é de grande importância, pois elas são substâncias que desempenham papéis fundamentais em muitos processos metabólicos no organismo. Os minerais mais utilizados na alimentação de suínos são cálcio, sódio, fósforo, ferro, cobre, zinco e manganês.

A carência de vitaminas e minerais compromete processos bioquímicos, o que torna o animal mais suscetível à doenças, causando redução do bem-estar animal e, consequentemente, a queda do desempenho produtivo.

Alguns dos alimentos que possuem alto teor de minerais são as farinhas de peixe, carne e ossos. Também é comumente utilizado calcário calcítico, fosfato bicálcico e sal comum como fontes exclusivas para o balanceamento de minerais nas dietas.

Foco na alimentação

Os alimentos ricos em carboidratos e lipídeos são utilizados como fonte de energia. A energia é um nutriente base, pois toda atividade metabólica animal requer energia.

A falta de disponibilidade de energia, dada através do baixo fornecimento de alimentos energéticos, faz com que o uso energético pelo organismo seja limitado à mantença do animal. Isso acaba comprometendo o bom funcionamento de outras fases, tais como crescimento e reprodução.

Já o excesso de energia consumido acima do necessário faz com que a mesma seja armazenada no corpo do animal em forma de gordura, o que também não é o ideal, pois diminui a qualidade da carcaça.

Alimentos como grão de milho, quirera de arroz, melaço em pó, óleo de soja, farelo de coco, farelo de trigo, são exemplos de alimentos energéticos que podem ser utilizados no manejo alimentar de suínos.

Já a ingestão de proteína é necessária, pois ela supre as necessidades de aminoácidos do animal. Os aminoácidos, subclassificados como aminoácidos essenciais e não essenciais, são compostos orgânicos que constituem as proteínas e desempenham papel fundamental na construção e na manutenção de todos os tecidos e órgãos.

Aminoácidos essenciais não são capazes de serem sintetizados pelo organismo do animal e precisam ser fornecidos através das dietas.

O adequado fornecimento desses aminoácidos permite a síntese de proteínas de forma eficaz e, consequentemente:

  • Melhora os índices de crescimento;
  • Melhora o processo reprodutivo;
  • Lactação dos animais.

Um dos ingredientes que tem demonstrado um grande potencial como fonte de proteínas para a inclusão no balanceamento de dietas de suínos é a Proteína Hidrolisada de Frango.

Obtida a partir da utilização de carne, miúdos e fígado de frangos, ela é um ingrediente que apresenta elevado teor de proteína e alto coeficiente de digestibilidade. Além disso, por ser um ingrediente com alto grau de palatabilidade, possui a vantagem de ser atrativo ao consumo pelos animais.

A proteína hidrolisada de frango é sintetizada a partir da hidrólise enzimática das proteínas oriundas da carne e dos miúdos de frango.

A hidrólise enzimática tem como objetivo a quebra dessas proteínas e, como resultado, temos a síntese de cadeias menores de peptídeos funcionais e de aminoácidos livres, que por sua vez possuem maior digestibilidade quando comparado a cadeias proteicas mais complexas.

A inclusão de alimentos com alta digestibilidade é um fator importante dentro de um bom planejamento do manejo alimentar, pois quanto maior a digestibilidade do alimento, maior será a absorção de nutrientes pelo animal.

Consequentemente, m elhores serão os índices de conversão alimentar , crescimento, desempenho e rendimento dos suínos no setor produtivo, além de gerar menos resíduos, o que torna o sistema de produção mais sustentável.

No caso do manejo alimentar de leitões o cuidado deve ser redobrado, já que suas funções digestivas se apresentam pouco desenvolvidas, devido à insuficiente produção de ácido clorídrico e de enzimas digestivas, o que torna incompleto o aproveitamento das dietas formuladas à base de grãos.

Dos 7 a 14 dias pós-desmame é considerado o período crítico, caracterizando-se por menor consumo de ração e baixa digestibilidade, por isso, a ração fornecida deve ser de alta qualidade (rica em nutrientes de alta digestibilidade e palatabilidade).

O desempenho produtivo do animal está diretamente correlacionado à alimentação que recebe. Dessa forma, a escolha dos ingredientes para a nutrição suína e o balanceamento das dietas torna-se um fator de fundamental para que as exigências nutricionais do animal sejam atendidas ao longo de todas as suas fases no sistema de produção.